Com calma e atenção
Me quedo a ler o corpo dela
Meticuloso – não há pressa!
Valho-me
De todos os sentidos
O olhar observa os olhos dela
E cada contração da sua face
Na penumbra desvenda toda sua beleza
E no relevo de seu corpo pálido
– Montes, vales e planícies –
Nada me surpreende
Já que o ainda não vislumbrado
Era, por meio do visto, imaginado
Paisagem que se conhece sem ter, de fato, estado lá
Com o olfato lhe absorvo
E sua paisagem me fica mais forte na memória
Ao quadro soma-se o aroma dela
Elemento mais marcante da lembrança
Pela qual ainda haverei de me quedar em nostalgia
Provo também seu gosto lentamente
Deslizando meus lábios no corpo dela
– Coxas e barriga, seios e pescoço
E sua língua e os seus lábios –
É tão intensa quando me beija!
Sua boca tão fremente a me sugar
Num desespero que contradiz
Aquele medo que, quando calma,
Ela confessa
E os meus ouvidos permanecem tão atentos
Pois quero ouvir cada suspiro
E todo gemido que meu corpo
Conseguir arrancar do corpo dela
E sobre o tato?
Ah! Não só as mãos
Mas cada parte do meu corpo
A perceber como se mexe
O quanto é quente
Como palpita
Ao meu toque
O corpo dela
Das palavras, somente o necessário
A expressar vontades monossilábicas
Não falo
Eu a leio, a reconheço
Sinto-lhe sem discriminar sentidos
À visão misturam-se olfato, paladar, audição e tato
Observo, sinto o cheiro e o gosto dela
Já sei como é o olhar e os sons que ela faz quando se entrega
Enquanto se contorce e se contrai
Junto de mim
Sinto-lhe
E sinto seu toque
Ânsia de dois corpos em ocupar o mesmo espaço
Eu a leio
E o que lhe escrevo é um poema
Singelo e sensual
Escrito assim
Nas entrelinhas
Do corpo dela
Alex Assunção Lamounier, 25 de outubro de 2011, 02:30 horas
Londrina-PR
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