Havia uma cidade sem placas, onde os moradores deveriam se lembrar onde ficava o açougue, a loja de roupas e a padaria. Com o tempo, no entanto, confusões começaram a surgir, pois as pessoas iam se esquecendo... Homens casados confundiam casas agrícolas e entravam em casas da luz vermelha, cuja luz não poderia ser acesa; donas de casa direcionavam-se a clubes masculinos pensando estar indo às compras; e crianças e idosos se acotovelavam nos balcões das lojas tentando identificar o que se vendia ali. É importante contar que a cidade também não tinha mais praças, porque o governo local as havia anulado, tornando-as todas iguais.
Acontece que com o tempo as pessoas foram se esquecendo também desses contratempos e assim se esqueciam de reclamar. Simplesmente iam aos lugares e, muitas vezes, até se esqueciam para onde estavam indo. Mas iam simplesmente. E se esqueceram também que elas é que haviam eleito o governante que as faziam esquecer. E se esqueceram, portanto, que haviam concordado com um sistema político idêntico ao que quase já os tinha levado à extinção como cidade certa vez. Se esqueceram de que não deveria ser possível não terem percebido que o sistema desse governante que agora os levava a esquecer era herdeiro legítimo daquele outro que quase os havia extinto. Chegaram a se esquecer até mesmo que haveria nova eleição e assim foram deixando tudo passar.
E o governante, sem renovação de votos, mas também sem opositor eleito, foi ficando no governo. E os fazendo esquecer...
Alex Assunção Lamounier
13 de fevereiro de 2011, 13:44 horas, Londrina-PR
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