terça-feira, 3 de maio de 2011

Insano Insone


Sentado sozinho,
Desfiando mágoas:
Passadas águas
Movendo moinhos
De inquietação.
            Rezando baixinho
            Rosário inteirinho
            De solidão.

Assim permaneço:
Vaga a mente,
O corpo dormente
Paga o preço
De noite insone.
            Pensando me esqueço,
            Mas ainda pereço:
            Recordo meu nome!

Então, sem sentido,
Vadio noctâmbulo
No escuro preâmbulo
Da noite perdido
Me movo.
            Sufoco um gemido,
            Não choro oprimido,
            Mas chovo.

E chove lá fora.
A noite derrama
Em minha cama
As gotas que chora:
Lágrimas densas.
            Tarda a aurora,
            Mas dormir agora
            Já não compensa.

Silente escuto
Ruídos na rua
Que a ausência da Lua
Cobre de luto.
No escuro suponho
Ter fugido abrupto
            Deste peito corrupto
            Qualquer sonho.

Insone insano
Por noites a fio
Fitando o vazio:
Desejo cigano,
Tortura vã.
            Destecem-se os planos,
            Cotidianos desenganos
            A cada manhã.

Alex Assunção Lamounier
25 de abril de 2007, 15:30 horas
Londrina - PR

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