Por volta dos 15 anos de idade eu peguei a estrada
Deixei no portão minha mãe chorando
Ainda era madrugada
Deixava, pra vida, o sertão das Gerais
Meu pai, do lado, me dizia:
“Aqui lhe deixo, meu filho,
Pise firme e não olhe pra trás”.
Hoje marco com as botas
O asfalto da cidade
Muitos pecados nas costas
Mas nenhuma atrocidade
Terra diversa da minha
Mesmo assim rasgo no peito
Vou rompendo o dia-a-dia
Faço valer o meu jeito
Mas continua tudo bem, Mamãe
Vez em quando mando notícias
Me reze sempre uma oração
Pra manter justo o coração
Mas nunca perder a malícia
E continua tudo bem, Mamãe
Ainda sou um cara esperto
Me garanto bem sozinho
E em meu caminho
Eu piso certo
Aqui quase não há poeira
É fuligem no meu chapéu
Estranho sobremaneira
É a cor cinza desse céu
Mas conheci gente direita
Que também tem bons preceitos
Que reconhece e respeita
Quem caleja as mãos no eito
Mas continua tudo bem, Mamãe
Não esqueci meu sobrenome
Embora pise em terra estranha
Levo em conta tamanha
Minha palavra de homem
E continua tudo bem, Mamãe
Ainda sou um cara esperto
Me garanto bem sozinho
E em meu caminho
Eu piso certo
Passei por muitos lugares
E passaram tantos janeiros
Tomei diferentes ares
Desde o Triângulo Mineiro
Há cicatrizes no meu rosto
E rugas de preocupação
Mas guardo sempre meus desgostos
Que me sirvam de lição
Mas continua tudo bem, Mamãe
Enquanto me mantiver esperto
Me garantir bem sozinho
E em meu caminho
Eu pisar certo
E continua tudo bem, Mamãe
Ainda sou um cara esperto
Me garanto bem sozinho
E em meu caminho
Eu piso certo
Alex Assunção Lamounier
22 de setembro de 2009, 13:57 horas, Presidente Prudente – SP
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