terça-feira, 3 de maio de 2011

Um Qualquer Um Qualquer

Profundas olheiras
E o olhar cansado
Tropeço em sarjetas
Na noite que brilha
A alma é uma ilha
De vazio repleta
Que no oceano parado
Dessa noite se esgueira

Caminho e caminho
Mas nada espero
A noite se arrasta
E me arrasto por ela
Por mim ninguém vela
E o álcool me basta
Errante Homero
De um barco sozinho

Me apresento então:
Além da roupa e coturnos
Um qualquer um qualquer
Um estranho, no entanto,
Que em surtos de pranto
Se queda a arder
Mas que frio e soturno
Mantém seu coração

O sagrado e o profano
Me são ambos belos
"Anjo bom" e demônios
Carrego em mim
Me definem assim
Meus acertos errôneos:
Ora fogo, ora gelo
Racional e insano

Num sorriso colérico
Ou num soluço rouco
Contradigo a mim mesmo
E tampouco me entendo
Definir-me? Não pretendo
Então saio a esmo
Um "banal" quase louco
Um são quase ébrio

Alex Assunção Lamounier
Londrina-PR, 15 de agosto de 2007 16:41 horas

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