Se me dizem não eu bato o pé
E vou mostrar como é que é
O caminho vou mantendo aberto
Por que pra mim é tudo assim
Só faço o que eu tiver afim
Ou o que mais eu julgar certo
Rebelde ou contraventor
Suas impressões não me têm valor
Nunca me definirão eu sei
Porque assim eu fui batizado
Um nome que o significado
Quer dizer Fora da Lei
Garanto posso apostar
Não há quem possa me curvar
Eu sou de fato um cara altivo
Com a sorte sempre conto
Minha coragem e então pronto
Eu desafio o impossível
Astucioso e jogador
Encaro o que preciso for
E assim sempre prosseguirei
É que o meu pai aceitou
Tão logo assim que escutou
Meu nome Fora da Lei
Se é proibido mais me agrada
Eu não aceito em minha estrada
Ninguém vir impor barreiras
Se dizem não eu grito sim
Suas convenções não são pra mim
Além de meras brincadeiras
Desobediente e lutador
Se lhe causo dissabor
Saiba jamais me importarei
A minha mãe quem quis assim
Me dar um nome que em latim
Quer dizer Fora da Lei
Eu não respeito autoridade
Limite de velocidade
E piso aonde eu quiser
Minha conduta é o meu nome
Não me rendo à mão de um homem
Só a carinhos de mulher
Inconformado e sedutor
Vivo em busca do ardor
Fogo onde a sede matarei
Foi minha avó quem escolheu
Chamar assim um neto seu
Por um nome Fora da Lei
Não venha com dogmas de fé
Ou dizer-me simplesmente até
Que a vida é desse ou daquele jeito
É que na verdade sou mesmo assim
Só ouço quando estou afim
Ou a quem eu deva respeito
Rebelde e contraventor
Portanto não queira me impor
Regras desobedecerei
Então vivendo assim eu sigo
A quebrar regras meu amigo
Meu nome é Fora da Lei
Alex Assunção Lamounier
29 de setembro de 2012, 00:23 horas
São Paulo-SP
terça-feira, 1 de janeiro de 2013
sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Estação Bresser/Mooca - pouco mais que dez pras sete
Ladeira de trilhos
O trem se empenha
Entre muros de prédios
Manhã de estribilhos
Murmúrios e tédio
Cidade desperta
Da noite já nua
Uma leve friagem
A chaminé e a lua
Compõem paisagem
Urbana miragem
Que aos olhos desenha
Poesia concreta
Alex Assunção Lamounier
03 de agosto de 2012, 07:37 horas
São Paulo-SP
quinta-feira, 31 de maio de 2012
Para o Meu Pai
É claro que ainda lembro
Nem precisa entrar dezembro
O dia em que te perdi
Essa saudade que não passa
Depois daquela desgraça
Foram poucas vezes em que sorri
Dói no peito de verdade
Não tem jeito essa saudade
A falta que você me faz
Muita cor perdeu seu brilho
Muita dor é a do filho
Que acabou perdendo o pai
Seu sorriso na lembrança
Minhas “birras” de criança
Já ao longe vão, eu sei
Os seus traços no meu rosto
E o arrependimento dos desgostos
Que um dia eu lhe dei
As músicas que escutava
As lições que me ensinava
Ainda trago comigo
O seu colo, seu carinho
E as piadas, Papaizinho,
O seu jeito tão amigo
Hoje sou um homem feito
Mas me negaram o direito
De poder, então, lhe contar
Da minha vida, dos meus dias
Perguntar-lhe o que faria
Se estivesse no meu lugar
Hoje, Papai, sou estrada
Vento, poeira, madrugada
Caminho torto a pisar certo
Mas fazem falta tuas censuras
E o teu apoio nas venturas
Como te queria perto!
Não se zangue se hoje choro
Nas lágrimas não me demoro
Mas de você nunca me esqueço
Amanhã hei de sorrir
E sempre firme hei de seguir
Te prometo, Papai, eu prometo
Alex Assunção Lamounier
31 de maio de 2012, 03:49 horas
São Paulo-SP
Nem precisa entrar dezembro
O dia em que te perdi
Essa saudade que não passa
Depois daquela desgraça
Foram poucas vezes em que sorri
Dói no peito de verdade
Não tem jeito essa saudade
A falta que você me faz
Muita cor perdeu seu brilho
Muita dor é a do filho
Que acabou perdendo o pai
Seu sorriso na lembrança
Minhas “birras” de criança
Já ao longe vão, eu sei
Os seus traços no meu rosto
E o arrependimento dos desgostos
Que um dia eu lhe dei
As músicas que escutava
As lições que me ensinava
Ainda trago comigo
O seu colo, seu carinho
E as piadas, Papaizinho,
O seu jeito tão amigo
Hoje sou um homem feito
Mas me negaram o direito
De poder, então, lhe contar
Da minha vida, dos meus dias
Perguntar-lhe o que faria
Se estivesse no meu lugar
Hoje, Papai, sou estrada
Vento, poeira, madrugada
Caminho torto a pisar certo
Mas fazem falta tuas censuras
E o teu apoio nas venturas
Como te queria perto!
Não se zangue se hoje choro
Nas lágrimas não me demoro
Mas de você nunca me esqueço
Amanhã hei de sorrir
E sempre firme hei de seguir
Te prometo, Papai, eu prometo
Alex Assunção Lamounier
31 de maio de 2012, 03:49 horas
São Paulo-SP
Deixe Sua Timidez Para Quando Não Estiver Comigo
Me olhe nos olhos
Olhar cor de mel
Doce, doce como seu sorriso
Mas me olhe nos olhos!
Deixe sua timidez
Para quando não estiver comigo
Me beije na boca
E me leve pro céu
Assim, assim como preciso
Mas me beije na boca!
Não é toda vez
Que posso estar contigo
Me abrace bem forte
Porque eu sou teu
Tanto, tanto, Florzinha do Lírio
Mas me abrace bem forte!
E no calor de sua tez
Me garanta abrigo
Me dê as cores que preciso
Pra andar
No mundo escuro em tons de cinza
Em que estou
Não pare nunca de brilhar
Pra mim assim
Teus olhos sempre tão repletos
De amor
Se entregue pra mim
E faça com que eu
Perca, perca o juízo
Mas se entregue pra mim!
Não é insensatez
O que lhe sussurro ao ouvido
Me queime em você
Me faça arder
Leve, me leve ao paraíso
Mas me queime em você!
E nua de timidez
Faça o que quiser comigo
Alex Assunção Lamounier
28 de maio de 2012, 21:07 horas
Guarulhos-SP
Olhar cor de mel
Doce, doce como seu sorriso
Mas me olhe nos olhos!
Deixe sua timidez
Para quando não estiver comigo
Me beije na boca
E me leve pro céu
Assim, assim como preciso
Mas me beije na boca!
Não é toda vez
Que posso estar contigo
Me abrace bem forte
Porque eu sou teu
Tanto, tanto, Florzinha do Lírio
Mas me abrace bem forte!
E no calor de sua tez
Me garanta abrigo
Me dê as cores que preciso
Pra andar
No mundo escuro em tons de cinza
Em que estou
Não pare nunca de brilhar
Pra mim assim
Teus olhos sempre tão repletos
De amor
Se entregue pra mim
E faça com que eu
Perca, perca o juízo
Mas se entregue pra mim!
Não é insensatez
O que lhe sussurro ao ouvido
Me queime em você
Me faça arder
Leve, me leve ao paraíso
Mas me queime em você!
E nua de timidez
Faça o que quiser comigo
Alex Assunção Lamounier
28 de maio de 2012, 21:07 horas
Guarulhos-SP
quinta-feira, 26 de abril de 2012
Na Palma da Mão
Cavaleiro andante
De armas escuras
Só há de me derrotar
A irresistível doçura
Dos lábios dela
Marinheiro constante
De águas turvas
Só me permito ancorar
Na terra segura
Dos olhos dela
Cigano errante
De alma obscura
Só hei de descansar
Envolto na alvura
Do corpo dela
Destruo moinhos
Navego sozinho
E não temo o azar
– Desafio a morte!
Pois conheço o caminho
Que me faz voltar
Para junto dela
Aquela
A quem minha sorte
Confiei em guardar
Sem hesitação
De quem também trago
O nome guardado
Tão bem protegido
Nas linhas escrito
Da palma da mão
Alex Assunção Lamounier
26 de abril de 2012, 22:25 horas
Guarulhos-SP
De armas escuras
Só há de me derrotar
A irresistível doçura
Dos lábios dela
Marinheiro constante
De águas turvas
Só me permito ancorar
Na terra segura
Dos olhos dela
Cigano errante
De alma obscura
Só hei de descansar
Envolto na alvura
Do corpo dela
Destruo moinhos
Navego sozinho
E não temo o azar
– Desafio a morte!
Pois conheço o caminho
Que me faz voltar
Para junto dela
Aquela
A quem minha sorte
Confiei em guardar
Sem hesitação
De quem também trago
O nome guardado
Tão bem protegido
Nas linhas escrito
Da palma da mão
Alex Assunção Lamounier
26 de abril de 2012, 22:25 horas
Guarulhos-SP
segunda-feira, 26 de março de 2012
Afeito à Solidão
Afeito à solidão
Certo tom de melancolia
Me é constante no olhar
Silente, me empenho em buscar
Os acordes pra melodia
Que me palpita o coração
Essa ansiada canção
Em sustenidos de nostalgia
Ainda haverei de cantar
Um dia, se um dia encontrar
As notas tristeza e alegria
No braço do meu violão
Nas linhas da palma da mão
Não guardo qualquer profecia
Eu me fio é no meu caminhar
Não há quem me possa ditar
Regras que eu não quebraria
Ou leis que me prendam ao chão
Trago comigo a impressão
Que a estrela que me guia
Não me permite quedar
Inquieta em seu faiscar
Me conduz a seguir pela via
Onde ecoa, à frente, o trovão
Afeito à solidão
Companheiro da melancolia
À minha maneira de olhar
Permeia, insistente, um imaginar
Que, por vezes, a uma frase vazia
Atribui o peso de uma oração
Alex Assunção Lamounier
26 de março de 2012, 19:21 horas
São Paulo-SP/Guarulhos-SP
Certo tom de melancolia
Me é constante no olhar
Silente, me empenho em buscar
Os acordes pra melodia
Que me palpita o coração
Essa ansiada canção
Em sustenidos de nostalgia
Ainda haverei de cantar
Um dia, se um dia encontrar
As notas tristeza e alegria
No braço do meu violão
Nas linhas da palma da mão
Não guardo qualquer profecia
Eu me fio é no meu caminhar
Não há quem me possa ditar
Regras que eu não quebraria
Ou leis que me prendam ao chão
Trago comigo a impressão
Que a estrela que me guia
Não me permite quedar
Inquieta em seu faiscar
Me conduz a seguir pela via
Onde ecoa, à frente, o trovão
Afeito à solidão
Companheiro da melancolia
À minha maneira de olhar
Permeia, insistente, um imaginar
Que, por vezes, a uma frase vazia
Atribui o peso de uma oração
Alex Assunção Lamounier
26 de março de 2012, 19:21 horas
São Paulo-SP/Guarulhos-SP
segunda-feira, 7 de novembro de 2011
Os Meus Sentidos e o Corpo Dela
Com calma e atenção
Me quedo a ler o corpo dela
Meticuloso – não há pressa!
Valho-me
De todos os sentidos
O olhar observa os olhos dela
E cada contração da sua face
Na penumbra desvenda toda sua beleza
E no relevo de seu corpo pálido
– Montes, vales e planícies –
Nada me surpreende
Já que o ainda não vislumbrado
Era, por meio do visto, imaginado
Paisagem que se conhece sem ter, de fato, estado lá
Com o olfato lhe absorvo
E sua paisagem me fica mais forte na memória
Ao quadro soma-se o aroma dela
Elemento mais marcante da lembrança
Pela qual ainda haverei de me quedar em nostalgia
Provo também seu gosto lentamente
Deslizando meus lábios no corpo dela
– Coxas e barriga, seios e pescoço
E sua língua e os seus lábios –
É tão intensa quando me beija!
Sua boca tão fremente a me sugar
Num desespero que contradiz
Aquele medo que, quando calma,
Ela confessa
E os meus ouvidos permanecem tão atentos
Pois quero ouvir cada suspiro
E todo gemido que meu corpo
Conseguir arrancar do corpo dela
E sobre o tato?
Ah! Não só as mãos
Mas cada parte do meu corpo
A perceber como se mexe
O quanto é quente
Como palpita
Ao meu toque
O corpo dela
Das palavras, somente o necessário
A expressar vontades monossilábicas
Não falo
Eu a leio, a reconheço
Sinto-lhe sem discriminar sentidos
À visão misturam-se olfato, paladar, audição e tato
Observo, sinto o cheiro e o gosto dela
Já sei como é o olhar e os sons que ela faz quando se entrega
Enquanto se contorce e se contrai
Junto de mim
Sinto-lhe
E sinto seu toque
Ânsia de dois corpos em ocupar o mesmo espaço
Eu a leio
E o que lhe escrevo é um poema
Singelo e sensual
Escrito assim
Nas entrelinhas
Do corpo dela
Alex Assunção Lamounier, 25 de outubro de 2011, 02:30 horas
Londrina-PR
Me quedo a ler o corpo dela
Meticuloso – não há pressa!
Valho-me
De todos os sentidos
O olhar observa os olhos dela
E cada contração da sua face
Na penumbra desvenda toda sua beleza
E no relevo de seu corpo pálido
– Montes, vales e planícies –
Nada me surpreende
Já que o ainda não vislumbrado
Era, por meio do visto, imaginado
Paisagem que se conhece sem ter, de fato, estado lá
Com o olfato lhe absorvo
E sua paisagem me fica mais forte na memória
Ao quadro soma-se o aroma dela
Elemento mais marcante da lembrança
Pela qual ainda haverei de me quedar em nostalgia
Provo também seu gosto lentamente
Deslizando meus lábios no corpo dela
– Coxas e barriga, seios e pescoço
E sua língua e os seus lábios –
É tão intensa quando me beija!
Sua boca tão fremente a me sugar
Num desespero que contradiz
Aquele medo que, quando calma,
Ela confessa
E os meus ouvidos permanecem tão atentos
Pois quero ouvir cada suspiro
E todo gemido que meu corpo
Conseguir arrancar do corpo dela
E sobre o tato?
Ah! Não só as mãos
Mas cada parte do meu corpo
A perceber como se mexe
O quanto é quente
Como palpita
Ao meu toque
O corpo dela
Das palavras, somente o necessário
A expressar vontades monossilábicas
Não falo
Eu a leio, a reconheço
Sinto-lhe sem discriminar sentidos
À visão misturam-se olfato, paladar, audição e tato
Observo, sinto o cheiro e o gosto dela
Já sei como é o olhar e os sons que ela faz quando se entrega
Enquanto se contorce e se contrai
Junto de mim
Sinto-lhe
E sinto seu toque
Ânsia de dois corpos em ocupar o mesmo espaço
Eu a leio
E o que lhe escrevo é um poema
Singelo e sensual
Escrito assim
Nas entrelinhas
Do corpo dela
Alex Assunção Lamounier, 25 de outubro de 2011, 02:30 horas
Londrina-PR
quinta-feira, 20 de outubro de 2011
Sufoco
Havia corrido tanto, tanto, tanto que se esquecera do motivo. Então olhou para os lados e só então se fez notável a escuridão da rua. Era noite, noite, noite. Achou de bom grado gritar, uivar, rasgar aquele negrume silente com sua voz. No entanto, à primeira tentativa a escuridão viscosa, úmida, escorreu-lhe garganta adentro, sufocando qualquer possibilidade de abafar o silêncio...
quarta-feira, 21 de setembro de 2011
A Oração do Assassino
Eu mato como se risca um fósforo
Como se acende uma vela
Eu apago
O brilho dos olhos
Daquele a quem se destina
Minha bala
O cão ladra alto
A retumbar o tambor
Quando ecoa o estampido
O que soa ao meu ouvido
É sinfonia
E o que arrasta o gatilho
Traz imbuído
O mesmo fervor
Dos dedos trêmulos de uma beata
Que desfia o rosário
No singelo horário
Da ave-maria
. . .
Eu mato
Como quem reza uma prece
Eu mato
Como quem escreve um idílio
Quando a terra esmaece
No fim do dia!
Alex Assunção Lamounier
21 de setembro de 2011, 03:07 horas, Londrina-PR
terça-feira, 3 de maio de 2011
Carnaval
Me traga aquele tempo, uma vez por ano, onde o final da avenida fica iluminado e os pais folgam os cuidados sobre as filhas. Onde se permite acompanhá-las por consideráveis intervalos de tempo às proximidades mais ermas, tendo por testemunha apenas o muro mal iluminado pela lâmpada oscilante de um poste. E o rapaz, aquele ali, dos mais feiosinhos, pode abraçar qualquer menina entre as mais bonitas. Sem que ninguém nunca repare.
Me traga naquela dança antiga, onde a cadência se permite “descadencear”, desencadeando as mesmas pisadas tortas no asfalto do ano passado e do outro, e do outro, e do outro. Repetindo os passos de todos os outros anos. Os mesmos passos e outros pés, porque muitos já não pisam mais por aqui.
Me traga os mesmos rostos, os de sempre, aqueles que se reconhece sem lhes conhecer os nomes. Rostos que denotam traços, apontam a linhagem. Os mesmos traços noutros rostos.
Mudam-se os pés permanecem os passos, vão-se as pessoas e os filhos lhes conservam os traços.
Assim os quero: nessa beleza estranha, bizarra, me dizendo silentes que os outros ainda estão por aí, pisando, marchando, conforme a mesma batida. Que se não posso apontá-los, posso, no entanto, senti-los, percebê-los entre os traços conhecidos, invariavelmente mulatos, a marcharem ritmadamente idênticos aos que já se foram. E sorrindo, sempre, grandes sorrisos brancos a rasgarem-lhes a cara morena.
Muitos já se foram mas, se indo, foram-se aos poucos, deixando como legado o jeito como se movimentavam e o traço nas faces dos que vieram ocupando suas posições. Quero este tempo porque chega um tempo em que a maioria já habita a cidade de Adelma de Calvino e o grupo dos que ficaram se reduz sensivelmente. O bloco, antes coeso, passa a ter vazios incômodos, doídos, entre a massa de traços e passos tão conhecidos. E pelos vazios se vão esvaindo seus significados.
Me traga, portanto, aquele tempo, onde observei pela primeira vez aqueles passos e onde os traços que se via pertenciam, para mim, às faces originais. Me remetiam, quando muito, não mais que à possibilidade de ascendências remotas, apenas conhecidas pelo falar e nunca vislumbradas de fato.
Me traga este tempo da alegria injustificada, da euforia ilusória sem razão de sê-la.
O tempo antes do tempo. Anterior à retirada prematura de alguns deste caminho, e ao tempo em que outros, por vontade própria, se fizeram retirar.
E me deixe ouvir, dançar, pular, brincar uma daquelas velhas marchinhas de carnaval... De refrão repetido indefinidas vezes. Sempre o mesmo refrão, rodando em volta da avenida.
Alex Assunção Lamounier
07 de março de 2011, 21:00 horas, São Francisco de Sales-MG
A Cidade do Esquecimento
Havia uma cidade sem placas, onde os moradores deveriam se lembrar onde ficava o açougue, a loja de roupas e a padaria. Com o tempo, no entanto, confusões começaram a surgir, pois as pessoas iam se esquecendo... Homens casados confundiam casas agrícolas e entravam em casas da luz vermelha, cuja luz não poderia ser acesa; donas de casa direcionavam-se a clubes masculinos pensando estar indo às compras; e crianças e idosos se acotovelavam nos balcões das lojas tentando identificar o que se vendia ali. É importante contar que a cidade também não tinha mais praças, porque o governo local as havia anulado, tornando-as todas iguais.
Acontece que com o tempo as pessoas foram se esquecendo também desses contratempos e assim se esqueciam de reclamar. Simplesmente iam aos lugares e, muitas vezes, até se esqueciam para onde estavam indo. Mas iam simplesmente. E se esqueceram também que elas é que haviam eleito o governante que as faziam esquecer. E se esqueceram, portanto, que haviam concordado com um sistema político idêntico ao que quase já os tinha levado à extinção como cidade certa vez. Se esqueceram de que não deveria ser possível não terem percebido que o sistema desse governante que agora os levava a esquecer era herdeiro legítimo daquele outro que quase os havia extinto. Chegaram a se esquecer até mesmo que haveria nova eleição e assim foram deixando tudo passar.
E o governante, sem renovação de votos, mas também sem opositor eleito, foi ficando no governo. E os fazendo esquecer...
Alex Assunção Lamounier
13 de fevereiro de 2011, 13:44 horas, Londrina-PR
...
Me encontre na manhã
E seja minha
Rua
Casa
Lua
E esteja nua
Seja minhas asas
Me faça voar
Planar
Me faça flutuar
Por um tempo perdido
Não esquecido
Me seja um sorriso
Um dia nublado
Presente e passado
Me desenhe o futuro
Me seja no escuro
Um rasgo, um brilho
Me faça um filho
Me seja estrela
Sorvete
Passeio de bicicleta
Não me permita esquecê-la
Me seja capim
Manga e jasmim
Cheiro de orvalho
Minha dama no baralho
Terra molhada
Meu pé na poeira da estrada
Me seja uma flor
Com espinho
Carinho
Me seja amor
Me seduza
Seja minha musa
Menina
Mulher
Seja minha amiga
Amante
Constante
E me diga
Não obstante
Sempre o que houver
O que quiser me dizer
. . .
Me partilhe uma romã
Seja meus dias
Alex Assunção Lamounier
18 de dezembro de 2010, 20:03 horas, Londrina-PR
Continua Tudo Bem, Mamãe
Por volta dos 15 anos de idade eu peguei a estrada
Deixei no portão minha mãe chorando
Ainda era madrugada
Deixava, pra vida, o sertão das Gerais
Meu pai, do lado, me dizia:
“Aqui lhe deixo, meu filho,
Pise firme e não olhe pra trás”.
Hoje marco com as botas
O asfalto da cidade
Muitos pecados nas costas
Mas nenhuma atrocidade
Terra diversa da minha
Mesmo assim rasgo no peito
Vou rompendo o dia-a-dia
Faço valer o meu jeito
Mas continua tudo bem, Mamãe
Vez em quando mando notícias
Me reze sempre uma oração
Pra manter justo o coração
Mas nunca perder a malícia
E continua tudo bem, Mamãe
Ainda sou um cara esperto
Me garanto bem sozinho
E em meu caminho
Eu piso certo
Aqui quase não há poeira
É fuligem no meu chapéu
Estranho sobremaneira
É a cor cinza desse céu
Mas conheci gente direita
Que também tem bons preceitos
Que reconhece e respeita
Quem caleja as mãos no eito
Mas continua tudo bem, Mamãe
Não esqueci meu sobrenome
Embora pise em terra estranha
Levo em conta tamanha
Minha palavra de homem
E continua tudo bem, Mamãe
Ainda sou um cara esperto
Me garanto bem sozinho
E em meu caminho
Eu piso certo
Passei por muitos lugares
E passaram tantos janeiros
Tomei diferentes ares
Desde o Triângulo Mineiro
Há cicatrizes no meu rosto
E rugas de preocupação
Mas guardo sempre meus desgostos
Que me sirvam de lição
Mas continua tudo bem, Mamãe
Enquanto me mantiver esperto
Me garantir bem sozinho
E em meu caminho
Eu pisar certo
E continua tudo bem, Mamãe
Ainda sou um cara esperto
Me garanto bem sozinho
E em meu caminho
Eu piso certo
Alex Assunção Lamounier
22 de setembro de 2009, 13:57 horas, Presidente Prudente – SP
Um Qualquer Um Qualquer
Profundas olheiras
E o olhar cansado
Tropeço em sarjetas
Na noite que brilha
A alma é uma ilha
De vazio repleta
Que no oceano parado
Dessa noite se esgueira
Caminho e caminho
Mas nada espero
A noite se arrasta
E me arrasto por ela
Por mim ninguém vela
E o álcool me basta
Errante Homero
De um barco sozinho
Me apresento então:
Além da roupa e coturnos
Um qualquer um qualquer
Um estranho, no entanto,
Que em surtos de pranto
Se queda a arder
Mas que frio e soturno
Mantém seu coração
O sagrado e o profano
Me são ambos belos
"Anjo bom" e demônios
Carrego em mim
Me definem assim
Meus acertos errôneos:
Ora fogo, ora gelo
Racional e insano
Num sorriso colérico
Ou num soluço rouco
Contradigo a mim mesmo
E tampouco me entendo
Definir-me? Não pretendo
Então saio a esmo
Um "banal" quase louco
Um são quase ébrio
Alex Assunção Lamounier
“Baticum”
Pegou o pó na Brata
E depois foi pra balada
Cerveja no Chá das Cinco
Depois da primeira cheirada
Aí desceu pro Valentino
Cerveja, pó, macarronada
Querendo mudar pra Sampa
Se despediu da molecada
Dançou “baticum” com as “mina”
Esquema armado pra trepada
Chamou pro carro: “Cocaína!”
Último tiro, “borsa” acabada
Pneus fritando no asfalto
A “barca” descontrolada
Sampa fica pr’outra vida:
A cabeça decepada
Rolando pelo gramado
Espalhados na avenida
Pedaços de carne e osso
Restos do corpo sem vida
Vida atirada no esgoto
Alex Assunção Lamounier
uma noite qualquer no 1º semestre de 2007, Londrina-PR
Insônia
Neste lado da cidade
Faço mal ao meu corpo.
Mas me parece tão pouco
Tentar queimar a saudade
Na brasa de um cigarro.
Se eu tivesse à mão algum carro
Cruzaria a madrugada
E em cada curva da estrada
Esgotaria o pesado jarro
Que contem meus pensamentos.
É nestes difíceis momentos
Que se mede a força de um homem:
Quando a mente acordada, insone,
O vitima com tantos tormentos,
Enquanto o corpo permanece cansado.
Os olhos vazios, mas obstinados,
À rua observam sem nada olhar;
A alma inquieta reflete o penar
De um coração desatinado
Que anseia, mas já não deseja.
A mente cansada dormir não enseja:
À noite é costume manter-se desperta.
Será que do sono pra sempre deserta
De agora em diante condenada esteja?
E paz nunca mais haverá de verdade?
Alex Assunção Lamounier
08 de março de 2007, 2:50 horas, Londrina-PR
Insano Insone
Sentado sozinho,
Desfiando mágoas:
Passadas águas
Movendo moinhos
De inquietação.
Rezando baixinho
Rosário inteirinho
De solidão.
Assim permaneço:
Vaga a mente,
O corpo dormente
Paga o preço
De noite insone.
Pensando me esqueço,
Mas ainda pereço:
Recordo meu nome!
Então, sem sentido,
Vadio noctâmbulo
No escuro preâmbulo
Da noite perdido
Me movo.
Sufoco um gemido,
Não choro oprimido,
Mas chovo.
E chove lá fora.
A noite derrama
Em minha cama
As gotas que chora:
Lágrimas densas.
Tarda a aurora,
Mas dormir agora
Já não compensa.
Silente escuto
Ruídos na rua
Que a ausência da Lua
Cobre de luto.
No escuro suponho
Ter fugido abrupto
Deste peito corrupto
Qualquer sonho.
Insone insano
Por noites a fio
Fitando o vazio:
Desejo cigano,
Tortura vã.
Destecem-se os planos,
Cotidianos desenganos
A cada manhã.
Alex Assunção Lamounier
25 de abril de 2007, 15:30 horas
Londrina - PR
Visão
Te despes, me dispo:
Disputa de trapos,
Tecidos, sapatos
Caindo ao chão.
Então toda nua,
Nos raios da lua,
Contemplo a visão.
Ainda há escuridão?
Agora mais não.
Que horas são, coração?
Se amanhece, então,
Tiveste me visto?
Alex Assunção Lamounier
25 de abril de 2007, 3:54 horas, Londrina-PR
Embaixo do Meu Chapéu
Embaixo do meu chapéu
Ando sozinho
Somente eu
Acima o céu
Embaixo do meu chapéu
Quase todas minhas
Fervilham idéias
São puro fel
Embaixo do meu chapéu
Noite mesquinha
Vagando à toa
Andando ao léu
Embaixo do meu chapéu
Mudo passarinho
Desesperança
Noiva sem véu
Acima do meu chapéu
Só um pouquinho
Já nada é meu
Tampouco o céu
Alex Assunção Lamounier
18 de junho de 2006, 4:01 horas, Londrina-PR
Embriaguez
O dia amanhecendo “lá de fora”
E a garrafa vazia a ordenar:
“Vai-te embora”!
Mas meu corpo se recusa a levantar.
Minha boca finge rir,
Mas ela chora:
Sei que agora devo ir,
Chegou a aurora;
Sei que posso ir,
Mas não agora,
Pois me apavora
A idéia de sair e caminhar.
Talvez por ora
Eu deva mesmo me manter neste lugar.
Alex Assunção Lamounier
00:05 horas (início da Sexta-Feira Santa de 2006)
Em algum lugar na estrada (BR153) entre Marília e São José do Rio Preto-SP
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